A Pobreza não é natural. Natural é o bem-estar

Abstract

A naturalização e a individualização da pobreza foram, desde sempre foram argumentos a favor da perpetuação do fenómeno. No primeiro caso porque “é natural que existam pobres, como sempre existiram” e no segundo porque a “culpa é dos pobres e da sua preguiça”. Toda a história da luta contra a pobreza é também, intrinsecamente, a história da argumentação e da demonstração de que as causas do fenómeno são sociais, culturais, económicas e políticas. A pobreza está inscrita nas dinâmicas estruturais das sociedades modernas e nas práticas e representações sociais dos agentes, tanto os pobres como os outros. Neste sentido, o “natural” da segunda parte do título é irónico, dado que o natural depende de facto da vontade e da mobilização desses agentes para transformar as suas práticas e as estruturas que elas produzem, principalmente através da ação das políticas públicas dirigidas ao combate às desigualdades e à promoção do bem-estar.

Que dinâmicas estruturais são essas, que práticas e representações favorecem a reprodução do fenómeno e que políticas é necessário desenvolver ou reforçar para esse combate são a parte mais substantiva da comunicação.


Biographic note

Professor Catedrático no Iscte – Instituto Universitário de Lisboa e Investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, desde 1987. PhD em Sociologia e Agregação em Serviço Social.

Os principais temas de pesquisa são as políticas de luta contra a pobreza e a exclusão social, as políticas sociais, as políticas de educação, formação e emprego, as culturas populares, a reabilitação de pessoas com deficiência e as metodologias de planeamento e avaliação. É autor de livros, capítulos de livros, artigos em revistas científicas, atas de congressos e relatórios (mais de três centenas de publicações científicas) publicados em Portugal, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália, Brasil, Mauritânia, Bélgica e Angola. Apresentou comunicações e conferências em cerca de duzentos encontros científicos em Portugal e no estrangeiro. Foi Director-Geral do Departamento de Estudos, Prospetiva e Planeamento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (1998-2001), Director-Geral da Direcção-Geral de Educação do Ministério da Educação (2006-2008) e Presidente da Agência Nacional para a Qualificação (2008-2011). Foi membro do Comité de Emprego da União Europeia, do Comité de Aprendizagem ao Longo da Vida da União Europeia e do Conselho Nacional de Educação. É um colaborador ativo de associações diversas, de caráter social, profissional e local.

Testimonial

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António Oliveira

Fellow do Programa em Desenvolvimento Humano Integral
Plural, multidisciplinar, desafiante, potenciador de um humanismo fraterno e inclusivo...