A estatística da pobreza na saúde

Abstract

Em 2022, 1,9 milhões de pessoas em Portugal encontrava-se em risco de pobreza e vivia com rendimentos mensais inferiores a 591 euros. Este número aumenta para 2,1 milhões ao considerarmos todos os que não têm capacidade financeira para adquirir bens essenciais. Quando se diz que a esperança média de vida em Portugal está nos 84,75 anos, por exemplo, estamos a falar destas pessoas também? Dados estatísticos sugerem que há diferenças muito expressivas de esperança média de vida entre os extremos de percentil de rendimento. Baixos rendimentos implicam maior morbilidade e mortalidade, bem como riscos acrescidos de, por exemplo, obesidade, uso de substâncias, stress e doenças crónicas. A apresentação de números agregados disfarça desafios e desigualdades profundas em cenários de saúde que até podem apresentar, no global, evoluções positivas. É fundamental compreender a granularidade das estatísticas de forma a desenvolver estratégias adequadas a segmentos vulneráveis da população.


Biographic note

João Santos Pereira licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores no Instituto Superior Técnico (1999-2005) e doutorou-se em Imagiologia Cerebral na Universidade de Cambridge (2006-2010). Passou pela McKinsey&Company enquanto analista e fundou diversas start-ups, desde uma agência de modelos assente no Facebook, passando por antenas microscópicas, até empresas de diagnóstico médico. Destaca-se a Heartgenetics, spin-off do IST, onde foi Diretor Financeiro e Administrador, tendo supervisionado a sua venda a um grupo internacional. Desempenhou ainda funções de assessor parlamentar em ciência e educação (2018-2019). Foi coordenador de Inovação da Universidade Católica Portuguesa (2022-2023), sendo agora Diretor Executivo e Professor Associado Convidado da Faculdade de Medicina da Católica, onde lidera o Laboratório de Bioestatística. É autor de diversos artigos nas áreas de Neurologia, Imagem Cerebral, Oncologia e Modelação Estatística.

Testimonial

EsterMingaDHI

Ester Minga

Fellow do Programa em Desenvolvimento Humano Integral
​A comunicação empática e uma visão transdisciplinar às questões sociais são constantemente promovidos.